Tetrodotoxina

Visão Geral


A tetrodotoxina (TTX) é uma neurotoxina que bloqueia os potenciais de ação nos neurônios se ligando aos poros dos canais de sódio voltagem-dependente, os bloqueando e evitando essencialmente que as células nervosas afetadas disparem o potencial de ação. 


 Seu nome deriva de Tetraodontiformes, nome da classe que inclui o peixe fugu japonês, conhecido como baiacu e outras espécies que carregam essa toxina. Embora a tetrodotoxina tenha sido descoberta nesses peixes e encontrada em vários outros animais (por exemplo, polvo de anéis azuis, tritões de pele áspera e caracóis da família Naticidae), ela também possui uma origem bacteriana, sendo produzida por membros das famílias Vibrionaceae e Pseudomonas sp.


 A dose letal listada para a substância (DL50) em ratos é de 334 μg/kg. Supondo que a dose letal para seres humanos seja semelhante, seria esperado que 25 mg de tetrodotoxina matassem uma pessoa de 75 kg. A quantidade necessária para atingir uma dose letal por injeção é muito menor, apenas 8 μg/kg para ratos, ou um pouco mais de 0,5 mg uma pessoa de 75 kg.

Sintomas


A principal fonte de envenenamento é a ingestão do peixe baiacu ou de outros produtos que contenham essa toxina. O diagnóstico de intoxicação por tetrodotoxina é feito mediante a sintomatologia observada e no histórico recente alimentar. Os sintomas surgem entre 30 minutos e 4 horas após a ingestão, se a dose for letal, eles aparecem mais cedo, em até 17 minutos.

Inicialmente ocorre a parestesia dos lábios e da língua, que é seguida pelo desenvolvimento de parestesias nas extremidades, hipersalivação, sudorese, cefaléia, fraqueza, letargia, incoordenação, tremor, paralisia, cianose, afonia, disfagia e convulsões.

Os sintomas gastrointestinais são frequentemente graves e incluem náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal.

A morte é geralmente secundária à insuficiência respiratória. Há diminuição da frequência respiratória, a fala é afetada e a vítima geralmente exibe dispneia, cianose, midríase e hipotensão. A paralisia aumenta e convulsões, deficiência mental e arritmia cardíaca podem ocorrer. A vítima, embora completamente paralisada, pode estar consciente e, em alguns casos, completamente lúcida até pouco antes da morte, que geralmente ocorre dentro de 4 a 6 horas. Algumas vítimas entram em coma. Se o paciente sobreviver 24 horas, é provável que evolua para a cura total ao longo de alguns dias. 

Tratamento


A terapia é de suporte e baseada na sintomatologia, com o gerenciamento forte das vias aéreas, uma vez que a principal causa de morte é a insuficiência respiratória. Se ingerida, o tratamento pode consistir em lavagem gástrica, na administração de carvão ativado e em tomar medidas padrão de suporte de vida para manter a vítima viva até que o efeito do veneno tenha desaparecido.

 Os agonistas alfa-adrenérgicos e a administração de fluidos intravenosos para combater a hipotensão são recomendados. Agentes anticolinesterásicos surgem como uma alternativa, mas não costumam ser empregados. 

 Nenhum antídoto foi desenvolvido e aprovado para uso humano, mas um relatório preliminar de pesquisa indica que um anticorpo monoclonal específico para a tetrodotoxina está em desenvolvimento pelo Instituto de Investigação Médica de Doenças Infecciosas do Exército dos Estados Unidos (USAMRIID) que foi eficaz, em um estudo, para reduzir a letalidade da toxina em testes com camundongos.

Morte por Peixe Fugu


  • 1975 - Bando Mitsugoro VIII, um renomado ator japonês, morreu após sete horas de paralisia e convulsões, causadas pela ingestão da tetrodotoxina de peixe fugu.

Referências


Links Externos


Link para texto em inglês: Tetrodotoxin

  • No labels