Ricina

Visão Geral


A ricina é uma proteína altamente tóxica, encontrada principalmente no revestimento da semente de mamona da planta de óleo de rícino, Ricinus communis L., mas está presente em toda a planta em concentrações mais baixas em um teor entre 1% e 5%. Essa toxina é facilmente extraída do óleo de rícino e, quando purificada, se apresenta na forma de pó branco, hidrossolúvel, estável em uma ampla faixa de pH. Ela é um dos venenos naturais mais potentes disponível no mundo, letal para adultos em pequenas doses (500 μg), tendo sido utilizada inclusive como agente de guerra biológica. A exposição pode se dar pelo ar, pela contaminação de água e comida ou ainda, por via intravenosa.

Estrutura e Mecanismo de Ação



Essa toxina é uma proteína inativadora de ribossomos tipo 2 (RIP). É heterodimérica, constituída por uma cadeia A (em azul, 32 kDa), uma enzima inativadora de ribossomos, e por uma cadeia B (em laranja, 34 kDa), que é cataliticamente inativa, mas serve para mediar a entrada do complexo de proteína A-B no citoplasma. Sua ação a nível celular se dá por inativação de ribossomos, inibindo a síntese de proteínas, além de induzir a liberação de citocinas e causar lesão direta nas membranas, acarretando na morte da célula. Apenas uma molécula de ricina pode inativar mais de 1.500 ribossomos por minuto.

Usos


Terapeuticamente, a ricina vem sendo estudada como agente imunoterapêutico no combate ao câncer, conjugada com anticorpos monoclonais dirigidos a receptores de superfície celular de células tumorais, pois as células malignas aparentam ser mais susceptíveis à toxicidade da ricina porque expressam mais locais de ligação de lectina de superfície contendo mais carboidratos do que as células saudáveis. A ricina também tem sido utilizada na pesquisa de distúrbios neurológicos degenerativos e no tratamento de neuropatias dolorosas intratáveis pelo uso do "transporte suicida" em neurônios.

Rotas de Exposição


  • Via oral;

  • Via aérea;

  • Subcutânea;

  • Cutânea.

Sintomas


Os principais sintomas de envenenamento por ricina dependem da via de exposição e da dose recebida, embora muitos órgãos possam ser afetados em casos graves. Sintomas iniciais de envenenamento por inalação podem ocorrer dentro de 8h após a exposição. Após a ingestão, os sintomas iniciais ocorrem tipicamente em menos de 6h. Os sintomas clínicos normalmente progridem ao longo de 4h a 36h. Os que permanecem assintomáticos durante 12h após a exposição são pouco suscetíveis a desenvolver toxicidade. Entretanto, a possibilidade de sintomas respiratórios tardios entre 20h e 24h após inalação foi demonstrada experimentalmente em macacos. A morte por envenenamento de ricina pode ocorrer dentro de 36h a 72h de exposição, dependendo da via de exposição e da dose recebida.

  • Ingestão: vômitos e diarréia (esta última pode se tornar sanguinolenta) e que por sua vez podem levar a desidratação grave, seguida por hipotensão. Outros sinais ou sintomas podem incluir alucinações, convulsões e hematúria. Dentro de vários dias, o fígado, baço e rins podem parar de funcionar, possivelmente resultando em morte. A DL50 está estimada entre 1 a 20 mg/kg para humanos.

  • Inalada: dispneia, febre, tosse, náusea e angina. Também pode ocorrer sudorese intensa e edema pulmonar. Por fim, pode ocorrer hipotensão arterial e insuficiência respiratória, levando à morte. A DL50 em camundongos expostos a tamanhos de partículas menores que 5 μm é de cerca de 3 a 5 μg/kg. 
  • Injetada:  a DL50 em camundongos é de aproximadamente 5 a 10 μg/kg e a dose letal mínima varia de 0,7 a 2 μg/kg. Há o aparecimento de sintomas clínicos inespecíficos como febre, cefaléia, hipotensão e dor abdominal, que podem evoluir para insuficiência de órgãos multissistêmicos. São observadas alterações nas transaminases hepáticas, na mílase e na creatinina quinase, além de hiperbilirrubinemia, mioglobinúria e insuficiência renal. Os achados post-mortem incluem hemorragia focal nos intestinos, cérebro, miocárdio e pleura. Os gânglios linfáticos, rins e intestinos também podem demonstrar necrose, hemorragia e edema.

Tratamento


Ainda não há antídoto disponível para envenenamento por ricina. O tratamento é sintomático.

Referências


CDC. 2008. Ricin. Accessed 5/6/2008.

Lord MJ, Jolliffe NA et al. 2003. Ricin: Mechanisms of cytotoxicity. Toxicol Rev. 22(1): 53-64.

Musshoff F, Madea B, Ricin poisoning and forensic toxicology, 2009 Apr, 4: 184-91

Tradução feita por: Jayanaraian Martins

Links Externos


Link para a página em inglês: Ricin

 

 


 

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